
Os sistemas de inteligência artificial já se tornaram um padrão operacional em todos os setores. São utilizados, na maioria das vezes, para facilitar processos e otimizar a velocidade com que eles acontecem. Mas isso não é exatamente uma grande novidade.
Pode-se dizer que o mercado já se convenceu deste fato: quase metade das empresas industriais brasileiras utilizam o recurso, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O que ainda surpreende, no entanto, é o papel crescente das IAs no fortalecimento da reputação desses negócios.
A Inteligência Artificial se consolidou como um canal reputacional. E os dados comprovam isso.
Em 2026, o Global RepTrak 100, principal estudo global sobre reputação corporativa, produzido com base em dados de 14 grandes economias, trouxe uma mudança significativa: pela primeira vez na história do relatório, a inteligência artificial foi tratada como um canal específico de formação de opinião, ao lado de 13 touchpoints tradicionais, como mídia, experiência direta e influenciadores.
Essa decisão não foi arbitrária. Ela reflete uma realidade que os profissionais de gestão de reputação já sentiam na prática: as ferramentas de IA generativa mudaram a forma como as pessoas buscam e consomem informações sobre marcas e empresas.
No modelo tradicional, o usuário digitava palavras-chave no Google e navegava pelos links. Hoje, a IA entrega respostas prontas, sintetizadas e cada vez mais convincentes.
O dado mais revelador do relatório RepTrak 2026 não é o alcance da IA, mas a desproporção entre seu alcance e impacto.
A IA atinge apenas 10% do público pesquisado, ocupando a 11ª posição entre os 14 canais medidos em termos de audiência. No entanto, quando o critério é o impacto, ou seja, a diferença na percepção de reputação entre quem foi exposto ao canal e quem não foi, a IA sobe para o 7º lugar.
Para se ter dimensão: o índice de reputação dos consumidores expostos à IA foi de 80,4 pontos, contra 74 pontos entre os não expostos. Uma diferença de 6,5 pontos (a maior de qualquer canal, exceto a experiência direta com a marca).
Isso significa que a IA supera, em poder de influência reputacional, canais já consolidados como redes sociais, e-mail e atendimento ao cliente. Um sistema que ainda não é mainstream em termos de alcance já demonstra capacidade de mover a percepção das pessoas de forma mais intensa do que meios com décadas de uso.
A adoção da IA pelo público brasileiro é uma das mais expressivas do mundo. De acordo com dados do relatório Inteligência Artificial 2025, da Opinion Box e CX Brain, 97% dos brasileiros conectados já têm algum entendimento sobre o que é IA. Sobre o uso efetivo, 70% dos internautas no país utilizam ferramentas de IA ao menos semanalmente, e o percentual de uso diário saltou de 37% para 45% entre 2024 e 2025.
Esses números têm uma consequência direta para a gestão de reputação: a vasta maioria dos consumidores brasileiros já manuseiam a IA, independentemente de as marcas estarem ou não gerenciando sua presença nele.
Ignorar esse canal é uma decisão estratégica com consequências concretas sobre como a empresa é percebida.
Há um detalhe comportamental que torna a IA ainda mais crítica como canal reputacional: os usuários tendem a confiar na resposta entregue pelo sistema sem verificar as fontes originais.
Estudos iniciais sobre comportamento de busca revelam que uma parcela minúscula de usuários consulta os links após ler o resumo fornecido pela IA. A grande maioria se contenta com aquela primeira resposta.
Ao mesmo tempo, mais de 2 bilhões de pessoas por mês já acessam os AI Overviews do Google, e o ChatGPT ultrapassa 1,5 bilhão de usuários ativos mensais. Nesse contexto, a IA age como um espelho. Ela sintetiza o que está disponível sobre uma marca e entrega uma narrativa pronta.
O que está disponível para a IA consumir é o que define o que ela diz. E o que ela diz está, silenciosamente, moldando a percepção de clientes, investidores, parceiros e talentos.
O que fazer diante dessa realidade?
A boa notícia é que a narrativa que a IA constrói sobre uma empresa pode ser influenciada de forma estratégica.
Portanto, empresas que investem em conteúdo de qualidade, cobertura jornalística consistente, presença sólida em fontes de referência e gestão ativa da narrativa digital estão, ao mesmo tempo, gerenciando como as plataformas de IA as representam.
A reputação sempre foi uma construção humana. O que mudou é que agora ela também precisa ser compreendida pelas máquinas.
Na Apex, trabalhamos com gestão de reputação de forma integrada: monitoramos narrativas, construímos posicionamentos e atuamos nos canais que realmente importam para a percepção do seu negócio, incluindo os emergentes, como a inteligência artificial.
Se a sua empresa ainda não sabe o que as IAs estão dizendo sobre ela, esse é o momento de descobrir.
Fale com a Apex e entenda como proteger e fortalecer reputação no cenário atual.